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Archive for June, 2008

Direto do Festival de Cannes - parte 1

Depois de duas semaninhas sem postar voltei com uma porção de coisas que eu estava louco pra colocar no área3 mas com a internet a 6 euros (por meia hora) e um sol iluminando a cidade até as 9:30 da noite, acabei acumulando pra quando chegasse ao Brasil.

O festival apesar da quantidade exaustiva de publicitários, vale a pena a visita. Acabei tendo que trabalhar dois dias, dos 7 de festival, virando noite pra entregar um trabalho para Anistia Internacional na competição de print dos youngs. Não ganhamos mas foi uma experiência legal. (depois coloco aqui os vencedores).

Cannes estava com uma atenção especial para o terceiro setor esse ano. Ao lado do Palais (onde acontece o festival) havia uma exposição bacana de algumas campanhas selecionadas feitas pra ongs. Ainda na praça da frente tinha uma pequena exposição de fotos jornalísticas de momentos históricos (guerras, protestos, e etc…).

Mas foi pouco perto do potencial. Faltou a meu ver um pouquinho de ação. Perderam a oportunidade de motivar grandes cabeças a pensarem em soluções para os problemas no mundo, perderam alguns kilowatts com as tvs de plasma acesas aos montes durante toda a noite no hall trancado do festival e perderam a chance de dar um pouco mais de sustância para todo aquele glamour.

Assisti o rolo inteiro da categoria de filmes “Fundraising” e achei bem fraca pra ser sincero. Pouquíssimos filmes ali conseguiram tirar algum aplauso da platéia, quem dirá alguns trocados. (depois faço um apanhado dos ganhadores e coloco aqui também).

Bom, e essa foto é do shortlist de prints da categoria “Public Awareness”.

Mas é preciso mecanizar a cultura de cana

1211.jpgNem tudo são rosas, contudo. Continuando o postabaixo, Roberto Rodrigues (foto) alertou para a necessidade de mecanizar a cultura de cana, um debate que eu ainda não vi muito por aí. Vocês viram? Ele diz:

  • Em São Paulo, há um movimento forte para terminar de vez com o corte de cana manual, que é considerado um trabalho desumano, pelas péssimas condições que oferece aos cortadores de cana, os bóias-frias. Mas há outra corrente, liderada pelos próprios trabalhadores, que não quer a mecanização em função do desemprego que seria causado. “Os dois lados têm sua razão e acho que a eliminação tem de ir acontecendo na medida do possível, com modelos de substituição de mão-de-obra.” Rodrigues contou está trabalhando com o governo estadual para criar um financiamento para a reciclagem dos trabalhadores e sua capacitação para plantio de produtos de alto valor agregado, como frutas, flores, seringueiras e orgânicos. Precisa fazer isso no País todo.
  • As queimadas típicas da colheita manual da cultura de cana emitem mesmo gases de efeito estufa (faz-se queimada porque a folha da cana crua tem sílica, que corta os trabalhadores, e para afastar cobras). Isso torna a mecanização ainda mais desejável. Contudo, a queimada não agride tanto o solo quanto diz a lenda; estudos descobriram que a queima é tão rápida que não chega a mudar a temperatura a ponto de comprometer os microorganismos do solo. 

Mais um aliado para o etanol

feb07_ethanol-s.jpgA honorável revista inglesa The Economist traz nesta edição semanal (que já está no site e chegará às bancas hoje também)  um artigo em que advoga o fim da tarifa protecionista “hipócrita” imposta pelos EUA à importação do etanol brasileiro feito de cana-de-açúcar (para uso como combustível). Ao afirmar que as críticas ao etanol são injustas, ela ressalta para quem desconhece geografia que as plantações de cana ficam bem longe da Amazônia. Seríissima, aEconomist é uma aliada e tanto nessa batalha brasileira pelo etanol no front internacional. E caso alguém ainda não tenha percebido, o etanol é um forte aliado da marca Brasil no front internacional, com potencial de impulsionar a internacionalização de muitos negócios brasileiros. Embora sejam longas, vale reproduzir aqui algumas das observações - acachapantes – do Roberto Rodrigues (ex-ministro de Agricultura do governo Lula, especialista de agronegócio da FGV) feitas à jornalista Lizandra Magon de Almeida, colaboradora de HSM Management, até porque “spreading the word” é fundamental nesse caso:

  • O potencial do Brasil nessa área é enorme: já usamos 44% de combustíveis renováveis, enquanto o mundo usa só 14%, segundo Rodrigues. “O Brasil poderia produzir 15% do combustível consumido no mundo em 15 anos, usando a terra e a tecnologia atual.” Ou seja, sem contar a tecnologia que está por vir pode até fazer dobrar esse índice. E sem contar que podemos nos dar ao luxo de aumentar em 7,5% a área plantada de cana no Brasil sem impactos ambientais.
  • Os mercados para o etanol precisam ser ativamente construídos, o que depende de leis. No Brasil, o Pró-Álcool só foi para frente quando se tornou obrigatória a mistura de 20% de álcool na gasolina. Os outros países vão ter de fazer leis similares.
  • A cultura de cana-de-açúcar não substituirá áreas destinadas à plantação de alimentos.  “Dos 62 milhões de hectares de terras agricultáveis existentes no Brasil, apenas 3,2 milhões, ou 5%, são adequados para a cana. O que existe no Brasil é uma quantidade muito grande de terras usadas para pastagem, 220 milhões de hectares –destes, 90 milhões poderiam ser aproveitados para agricultura, sendo que um quarto serviria para a cana”. Mesmo com o avanço da cultura da cana, a área destinada ao plantio de grãos (leia-se alimentos) pode aumentar 22% – e a produção de grãos, com tecnologia, 127%. (Ninguém pode proibir os agricultores de substituir alimentos por cana, mas eles não quererão isso, ver abaixo.)
  •  Os agricultores não preferirão substituir plantações de alimentos por cana. É claro que os agricultores sempre buscam as alternativas mais rentáveis, orientando suas decisões pela expectativa de aumento (ou queda) dos preços vis-a-vis a média de preços histórica de cada cultivo, mas os produtores não tendem a substituir grãos por cana; a substituição mais natural é de pastagens, laranja…Plantaram recentemente cana em regiões tradicionalmente produtoras de laranja, por exemplo, por conta da tendência de preços da laranja. Mas foi só a oferta de laranja diminuir que a fruta começou a ser plantada em outras áreas –inclusive no Paraná, que nunca teve tradição de laranja.
  • “É uma falácia antiga dizer que a cana empobrece o solo. Todo produto agrícola extrai nutrientes do solo e tem de ser usado adubo para repor esses nutrientes. A preservação do solo depende dessa reposição. A cana, ao contrário, é uma das culturas que mais deixa material orgânico no solo.

Sobre carros que enchem a rua de lixo

sujfeira01.jpgNão tem um dia sequer que eu saia de carro em São Paulo em que não veja alguém em outro carro jogar lixo na rua. E os carros são tanto de “pobre” quanto de “rico”. Uma vez vi um sujeito num Jaguar abrir o vidro e jogar um saquinho daqueles “pra” viagem do McDonald’s cheinho, indecente, saindo do Shopping Jardim Sul.
Eu tento todas as estratégias de reação: das agressivas (buzino, olho feio, uma vez gritei “seu porco!”, o que vai totalmente contra a minha índole) às gentis (como descer do meu carro, ir bater na janela do dito cujo e dizer “acho que isso caiu do seu carro”). Raramente vejo as pessoas constrangidas; elas ficam é bravas com a intromissão.
Por isso, pergunto à turma do Área 3: existe algum site em que a gente possa registrar as placas dos automóveis que sujam a cidade? O meu mais recente eu anotei, pensando neste post: era um Voyage branco, BHE 093_, num cruzamento da rodovia Raposo Tavares. Sei que parece meio big brother, nazistalinista, limitação das liberdades individuais etc., mas a liberdade individual também deve respeitar o coletivo, puxa vida. O cara desse Voyage que jogou papel na rua vai entupir o bueiro, causar enchente e fazer com que eu e mais milhares de pessoas  demoremos duas horas a mais que o usual para chegar em casa ou no trabalho. E não vai levar nem uma multinha.
Talvez vocês se perguntem por que não fazer um site dedo-duro para pedestre também. Respondo: além de a identificação ser difícil operacionalmente, o pedestre ainda pode ter a desculpa de que não tem lixeira na rua ou de que ele não tem como carregar o lixo (quando, no carro, é só pendurar o saquinho de lixo no câmbio, né?). De qualquer modo, vejo mais lixo caindo de janela de carro que de mão de pedestre. O que vocês acham? Help!

Tom Lehrer: Pollution

Tom Lehrer era um sujeito a frente do seu tempo. Na década de 60 já falava sobre poluição e muita gente achava um exagero. Ainda bem que temos o YouTube para dar-lhe o devido crédito. O tema aqui em 2008, não poderia ser mais relevante.

Marina colunista

marina-colunista.jpgMarina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e mais recente colunista no meio Terra Magazine. Veja aqui seu texto de estréia.

Caught in the net

wwf-dolphin-net.jpgAção da WWF desenvolvida pela Saatchi & Saatchi Auckland da Nova Zelândia para conscientizar as pessoas a respeito da ameça que os golfinhos Mauis sofrem com a pesca com redes já que haveria uma votação no parlamento concernente a isso. Para tal propósito, golfinhos Mauis em tamanho real foram fixados em redes de proteção pela cidade de Auckland, inclusive nas do próprio parlamento. A ação teve mídia espontânea tanto na tv quanto na mídia impressa.

Concurso de Design: Green Earth

green-earth.gifDepois da competição Love your Earth do ano passado, o Designboom agora está com a competição Green Earth. As inscrições vão até o dia 27 de agosto e os cinco primeiros lugares levam um prêmio em dinheiro. Mais informações aqui.

1º Campeonato Brasileiro de Arremesso de Celular

Aconteceu hoje em São Paulo, às 15:32, o 1º Campeonato Brasileiro de Arremesso de Celular. A regra é simples: ganha quem arremessar o celular sem a bateria o mais longe possível. O celular é doado para organização no final do evento, enquanto todas as baterias serão devidamente recicladas.

Eu, que acabei de desistir definitivamente de ter um celular, não pude comparecer. Mas espero que o evento tenha sido um sucesso e que várias baterias possam ter sido arrecadadas.

Made in China

Nessa segunda o China Daiy publicou uma matéria bem preocupante para o povo chinês. Os últimos 50 anos foram responsáveis por nada mais nada menos que o desaparecimento de 50% do ecossistema costeiro. Cerca de 80% dos recifes de corais e manguezais simplesmente desapareceram da costa da chinesa que se estende-se por 18 mil km. Além disso, as águas dos rios Amarelo, Yangtze e Zhujiang também estão comprometidas.

Nos últimos 20 anos a economia marítima da China evoluiu num ritmo espantosamente rápido, e os recursos marinhos vêm sendo largamente explorados. O resultado disso você já sabe.

O desenvolvimento economico baseado na destruição (extrativismo) não é visível apenas com a poluição marítima, o ar vem sofrendo muito também. Para sustentar o ritmo do crescimento acelerado, a China precisou de muita energia. Hoje o país consome 2.322,72 TWh (Terawatt por hora) de energia termoelétrica, dos quais 63,4% vêm da queima de carvão!

Estatísticas mais recentes, porém não oficiais, de diferentes consultorias internacionais, chegam a sugerir que entre 70% e 80% da energia chinesa vem do carvão. Além de ser a maior exploradora de carvão, responsável por 46,2% da produção mundial, a China também é a que mais consome. A queima de carvão é a maior fonte de produção de CO2 do planeta, e a China é contribui com 18,8% de todas as emissões mundiais. A poluição do ar custa US$ 25 biliões de dólares a cada ano para a economia da China em gastos com saúde e perda de produtividade. A curto prazo o custo compensa, mas o planeta vai querer o troco.

Mais aqui.

Presidente dá uma olhada nesse vídeo

Pedalando, borbulhando e semeando

Post do Wagner no Uod:

Uma bicicleta que solta bolhas de sabão, como se fosse fumacinha de desenho animado. Legal, né?

Espere então eu te contar que, misturado na água e sabão, também vão sementinhas de flores. Assim é a Bloom (peddling Green), da Society Creative.

Flower power hippie-chic.

[via]

Fonte

wwfswitch.jpgPara evitar o desperdício de energia, a Ogilvy desenvolveu para a WWF esse adesivo para os interruptores do quartos de hotéis, que servem para lembrar de onde vem a energia e, assim, fazer pensar sobre o impacto que gerá-la causa.

Ficha técnica:

Advertising Agency: Ogilvy, Cape Town, South Africa
Creative Directors: Chris Gotz, Gordon Ray
Art Director: Prabashan G Pather
Copywriter: Wendy Moorcroft
Photographer: Justin Patrick
Published: February 2008

Zoológico virtual

ZooE já que idéia boa é pra espalhar, mais um post do Daniel da Hora do Uod:

“A idéia é simples: associar as características de alguns animais do staff do zoológico Dazoo às pequenas ações do dia-a-dia, através das quais podemos ter uma relação mais consciente no consumo de tudo - energia, produtos, água, etc. Conta com um site, no qual existem cinco personagens (bichinhos) que vão sendo apresentados à medida em que navegamos no ambiente em 3D. Criativo e muito bem feito, com estética de videogame, misturado a desenhos handmade, o ambiente pode ser visto em 360 graus e possui física, o que possibilita arraste de mouse mais interativo. O ponto alto do projeto são os livros em pop-up virtual relacionados a cada personagem, que ampliam o entendimento da ação, além de serem verdadeiros eye candies para o público, eminentemente infantil. Sacada da McCann Ericksson do Japão.”

Sabe qual o melhor investimento nos dias de hoje?

Mais um post devidamente copiado do Neto no Uod:

“W+K de Portand e Nike, com direção de Matt Smithson da Curious Pictures. The Girl Effect é mais do que um clip. É uma estratégia social. Inverstir nas meninas carentes, na adolescência. Isso pode mudar o futuro de comunidades inteiras.”



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