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Author Archive for Adriana Salles Gomes

O que aconteceria se a temperatura subisse 4ºC? #COP15


Ou eu deveria escrever: O que aconteceRÁ QUANDO a temperatura subir 4ºC?

Vocês já tinham visto o mapa do clima lançado pelo Museu de Ciências de Londres no final de outubro? Eu não, só vi agora. O mapa mostra o provável impacto que um aumento de 4ºC na temperatura teria sobre o planeta. Desabilite todas as dez teclas e vá clicando em uma de cada vez para descobrir sobre queimadas de florestas, colheitas, água disponível, aumento do nível dos mares, pesca, secas, perigos da permafrost, ciclones tropicais e problemas novos de saúde (doenças). 

São incluídos no mapa sete breves textos que projetam aspectos importantes para nossas vidas: floresta amazônica, agricultura, disponibilidade de água, nível do oceano, ciclo de carbono e aumentos de temperatura. Vocês estão achando que isso está muito longe de acontecer? Um estudo recente estima que esse aumento de 4ºC pode ocorrer por volta de 2060, ou seja, meu filho, hoje com 5 anos de idade, vai viver isso fácil.

O mapa interativo está neste link e o vídeo que o complementa se encontra aqui, onde se chama a atenção para outros efeitos da mudança climática, como a quase inevitável migração de populações inteiras e os conflitos decorrentes disso.

Tudo depende, na verdade, do que acontecerá em Copenhague a partir de segunda-feira, dia 7 de dezembro. Nós, brasileiros, devíamos estar mais ligados nisso do que no sorteio dos grupos da Copa do Mundo ou nos eleitorismos do ano que vem, mas entendo que a conscientização é difícil quando as evidências ainda não estão batendo em nossa cara. (Em outras palavras, a tendência é só começar a fazer exercício depois de se ter um ataque cardíaco, não é assim?)

Só sei que, depois de muito desânimo, tive um fio de esperança por causa do Sergio Abranches, cientista político especializado em ecopolítica (leiam seu blog sobre o assunto), que parece começar a levemente apostar no fim do impasse político, como se lê aqui e aqui.

Web 2.0 salva a casa do Superman

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O planeta Kripton foi destruído. Mas a casa do adolescente Jerry Siegel, que criou o Superman durante os anos da Grande Depressão americana em parceria com o amigo Joe Shuster, escapou. E os super-heróis, neste caso, não tinham nem visão de raio-X nem peito de aço, mas poder social: blogs e facebooks ficaram retransmitindo os pedidos de contribuições até que a arrecadação fosse suficiente para a reforma salvadora. Parece ser o superpoder 2.0: com sorte, kriptonita nenhuma anula.

Quem deu a dica foi ele, Neil Gaiman.

O Brasil vai envelhecer de virada. E aí?

(Via Blog da HSM)

Imagine só a cena: você tem um sobrinho que precisa de um leito de UTI, e pode bancar hospital particular mesmo, mas não tem leito, porque está tudo ocupado com pessoas com mais de 60 anos. O que vai acontecer? Você vai pensar (ou dizer em voz alta, dependendo do seu autocontrole): “Meu sobrinho tem a vida inteira pela frente, esse velho já viveu a dele!” É o que basta. Está dado o sinal de uma guerra civil emergindo, no caso, guerra intergeracional. Infelizmente há um risco muito grande de que isso aconteça no Brasil nos próximos 17 anos.

Nós, que estamos acostumados a ser um país jovem, vamos “envelhecer de virada” nesse período. Quem faz o alerta numa entrevista à HSM Management é o Alexandre Kalache, médico gerontologista carioca que chefiou o Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) por muito tempo e foi professor de Oxford, e hoje é conselheiro do presidente da New York Academy of Medicine, além de embaixador global da organização não governamental HelpAge. Segundo Kalache, sem um planejamento que tem de começar já (para não dizer “anos atrás”), na hora H vão acabar desviando recursos dos programas de saúde da mulher, da criança e do trabalhador para tratar dos idosos. E a tensão social decorrente dessa disputa pode ser gravíssima.

Os números assustam: nestes 17 anos, o Brasil deve dobrar a proporção de idosos –de 9% para 18% da população total. Em 2025, serão 32 milhões maiores de 60 anos e, em 2050, 70 milhões. Para comparar, os idosos da França dobraram de 7% para 14% do total em 115 anos, e a França já era um país rico – que continuou rico. Ou seja, a França teve tempo e recursos para implantar políticas específicas de enfrentamento do problema. (E ainda assim morreram 15 mil velhinhos lá naquela onda de calor uns anos atrás porque não abriam a janela.)

Alguém aí aposta nesse planejamento no Brasil? O assunto nem em pauta está… (nem vou mencionar reforma da previdência - oops, escapou.)

Fato é que essa virada etária vai influir muito no consumo, na produção, nas relações de trabalho, no marketing e na estratégia das empresas, porque tende a transformar a sociedade de modo geral. Mesmo que o governo não pense, melhor a gente pensar nisso, tanto como oportunidade quanto como ameaça.

O curto prazo e o marketing ligado a causas

Este post é para falar de uma das mais recentes descobertas de Cause Related Marketing, ou Marketing Ligado a Causas (outra sigla CRM para decorar), nos Estados Unidos. Existem dois tipos de consumidores suscetíveis a esse marketing de ações de responsabilidade social das empresas e, enquanto um aceita bem o discurso da mudança de longo prazo, para o outro o apelo disso é zero, o que restringe muito o público-alvo. É um grupo de consumidores numeroso esse que pensa e vive no curto prazo.

A descoberta, a partir de uma pesquisa, foi do Jeremy Kees, da Villanova School of Business, que escreveu sobre ela nesse site, da Andrea Heintz Tangari e do Scot Burton, da University of Arkansas, e da Judith Anne Garretson Folse, da Louisiana State University.

Conclusão óbvia: o marketing verde, ou relativo a qualquer outra causa, precisa conter uma promessa de curto prazo para poder sensibilizar mais gente e ganhar “escala”. Ou seja, o lance para as empresas é prometer o seguinte: “Se você comprar nosso produto, este mês 5 crianças com câncer serão tratadas”. (Escrito assim, parece chantagem emocional barata, mas deve ter um jeito melhor de formular.) Claro, as mensagens podem acrescentar ainda que são previstos também efeitos de longo prazo com aquela ação (até para ver se as pessoas se acostumam a pensar um pouco no futuro).

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Ecotáxis de bambu nas Filipinas



Movidos a biodiesel de coco, eles são 90% bambu e trafegam na cidade filipina de Tabontabon (adorei o nome!), que vive do cultivo do arroz. Os ecotáxis, em versões que transportam 20 e 6 pessoas respectivamente, também têm duas vantagens adicionais para os filipinos: servem de substitutos às motos (e aos mototáxis), marcadas por um índice de acidentes considerável, e são produção 100% local, o que significa geração de empregos e menores remessas de dinheiro para as montadoras no exterior.

Sem falar no charme para os viajantes.

via

Índice Verde 2009: consumidores brasileiros são vice-campeões de consciência ambiental


Tenho uma boa e uma má notícia. Qual vocês querem ler primeiro? Em geral, prefiro começar pela má (vício de final feliz do cinema?), mas desta vez vou começar pela boa – já explico por quê. Os brasileiros estão em segundo lugar no ranking Greendex 2009 (Índice Verde 2009), que avalia a consciência ambiental e os hábitos de consumidores em 17 países e é feito pela National Geographic Society e pela empresa de pesquisas Globe Scan. Yesss! São avaliados o comportamento dos consumidores em relação a moradia, transporte, alimentação e compra de mercadorias vis-à-vis atitudes e consciência em relação ao meio ambiente.

Legal, né?! A gente sempre fica pensando que o brasileiro podia ter um pouquinho mais de alemão (como cantou a banda Skank)… Taí. Nosso lado alemão devidamente mensurado e por avaliadores acima de qualquer suspeita. Como informa a BBC Brasil, a “boa posição do país no ranking deve-se aos hábitos de moradia dos brasileiros, considerados os melhores entre os 17 países avaliados. Oitenta e nove por cento das pessoas que responderam ao questionário no Brasil moram em residências com menos de cinco quartos. Os brasileiros também estão usando mais fontes limpas de eletricidade e, graças ao clima tropical, não utilizam sistemas de aquecimento nas suas casas com a mesma frequência que consumidores dos outros países”.

OK, eu não diria que a boa performance se deve a hábitos dos brasileiros, e sim, principalmente, a nossas circunstâncias (modelo de geração hidrelétrica, clima quente, pouco dinheiro para ter casa grande). Mas ‘tá valendo. More »

Yves Bèhar, o designer da sustentabilidade

Essa moto bacana acima, elétrica e veloz (atinge 240 km/h), se chama Mission One e foi apresentada na conferência TED, mês passado, como parte de uma edição limitada de 50 que serão vendidas só até 2010 por US$ 68,9 mil each. Suas baterias de íons de lítio, facilmente recarregáveis, lhe dão autonomia de 240 km e provam que poluição zero e prazer de dirigir são combináveis. E outra boa notícia é que a Mission One padrão deve ser lançada ainda este ano pela Mission Motors.
Mas eu falei da moto principalmente para falar do designer responsável por ela: é o meu designer preferido, o suíço (de Lausanne) Yves Bèhar, filho de pai turco e mãe alemã, windsurfista e com passado tech de Vale do Silício (menciono a mistura por ser reveladora). Foi ele que fez o laptop de US$ 100 com o Nicholas Negroponte e a revolucionária luminária Leaf da Herman Miller (de tecnologia LED), entre outras coisas, e está forçando as empresas suas clientes (Coca-Cola, Johnson & Johnson etc.) a se comprometerem em duas áreas: priorizar a experiência de uso dos consumidores e fazer projetos sustentáveis ambientalmente. O cara é legal ou não é?
O Yves diz o seguinte: “Design é como você trata seus clientes. Se os trata bem, dos pontos de vista ambiental, emocional e estético, você provavelmente está fazendo bom design”. E ele ainda faz um link entre histórias e design que é perfeito. (Fora que o design dele é lindo, além de qualquer subjetividade! Vejam os lustres Swarovski e discordem se forem capazes. Rsrsrs) Ou seja, se vocês atuam no terceiro setor e ainda não conhecem o Yves Bèhar, tratem de conhecer. O caminho é o site do fuseproject, a empresa dele (que fica em San Francisco, Califórnia, e é bem mais discreta do que se espera de um escritório de design, cheia de livros e de bagunça anticlean – o que tem tudo a ver com o sujeito, que está falando num vídeo youtube pós-jump, descoberto pelo updater Jorge Carvalho). More »

Dia Sem Compras: 29/11

dia_sem_compras_250px.gifEste sábado, 29 de novembro, foi escolhido para ser o “Dia Sem Compras” do Brasil, segundo boletim do Idec que acabo de receber. A idéia é que, nesta data, além de não comprar nada, todos façamos “uma reflexão sobre os impactos sociais e ambientais dos nossos hábitos de consumo”. O texto segue: “Os atuais padrões de consumo são insustentáveis do ponto de vista ambiental e injustos socialmente, já que a grande maioria da população é privada do acesso a bens e serviços essenciais para uma vida digna”. O Dia Sem Compras foi criado em 1993 pela organização canadense Adbusters, como “Buy Nothing Day”. Puxa vida! E eu tinha planejado iniciar minhas compras de Natal neste sábado…

Crise, meio ambiente e seu carro flex

Se você tem carro flex, tenho uma pergunta para você: A gasolina vai baratear e oferecer uma relação custo–benefício muuuito melhor que a do álcool. Com que combustível você vai encher o tanque de agora em diante?

Ontem saí com uns amigos, jornalistas e consultores econômicos, e a conversa acabou caindo, embora a gente tentasse evitar, em crise do subprime, caso Sadia & cia., e todos esses assuntos “agradáveis” dos últimos tempos. Claro que era conversa de bar e, por isso, pede filtro. Mas entre as eventuais bobagens ditas houve o questionamento sobre se os esforços das empresas e das pessoas pela sustentabilidade vão se manter no cenário de crise, com o etanol relativamente mais caro para produzir e o preço do petróleo despencando.

Na mesa de ontem, só eu parecia acreditar que pelo menos uma parcela da população e das empresas entendeu para valer a gravidade da mudança climática e seu impacto na vida dos nossos filhos –e que, por isso, não voltará atrás, mesmo com dor no bolso. A visão geral era bem pessimista.

E você? Vai voltar atrás?

 
Update: pelas primeiras repercussões deste post no UoD, os pessimistas estão certos. O pessoal parece mais preocupado em saber se o preço da gasolina vai cair mesmo do que em responder se vai bancar o álcool de qualquer jeito em seus carros flex. 

Responsabilidade social: o risco que as empresas correm

 2399440.jpgVivemos em dois mundos distintos: um dominado pelas normas sociais e outro em que as normas do mercado ditam as leis. As normas sociais estão ligadas a nossa necessidade de viver em comunidade cordialmente e não incluem necessidade de retribuição imediata. Já as de mercado envolvem preços, relação custo-benefício, juros etc., implicando benefícios comparáveis e pagamentos imediatos. Introduzir normas de mercado na vida social fere os relacionamentos. E introduzir normas sociais no universo das empresas representa um risco para estas (um risco que talvez não seja consciente, o que o torna maior ainda).

Quem diz isso é Dan Ariely, grande especialista em economia comportamental do famoso Media Lab do MIT, em seu novo livro,“Previsivelmente Irracional”: segundo ele, as empresas que vêm divulgando seus trabalhos de responsabilidade social, feitos em parceria com a sociedade, estão introduzindo normas sociais no universo do mercado, querendo nos fazer pensar que somos uma família (ou amigos, pelo menos) e obter vantagens a partir de uma lealdade familiar.

De fato, com isso, o consumidor pode se tornar mais complacente com elas –com seus erros e até com seus aumentos de preços. Mas se, quando um banco qualquer devolve um cheque sem fundos e cobra uma multa, o cliente paga a multa e pronto, o mesmo pode não acontecer com um banco que alardeia seu companheirismo social. Se, em vez de um telefonema do gerente, o banco impuser uma multa, o correntista que é “da família” pode se sentir traído porque o banco quebrou as normas da transação social. E nem mesmo os biscoitinhos na agência ou os comerciais singelos irão fazê-lo mudar de idéia, já que a relação social é rompida para sempre.“Não é possível tratar os clientes como membros da família em um momento e, depois, voltar a tratá-los de maneira impessoal”, diz Ariely.

A recomendação do especialista do Media Lab às empresas é muito séria na minha opinião e acho que deveria ser seguida à risca: que as empresas não trafeguem entre os mundos das normas sociais e das de mercado se não puderem realmente corresponder às expectativas que serão geradas. Importante: o mesmo raciocínio, de acordo com o expert do Media Lab, vale para os relacionamentos das empresas com fornecedores e colaboradores. Ou seja, se você prometer normas sociais além das de mercado, cumpra a promessa.  PS: Ariely fez este livro para nos lembrar da nossa irracionalidade e o fez com base em vários experimentos. Escrevi mais sobre isso aqui.

Escuridão mundial, contagem regressiva?

escuridao1.jpgConvocação circulando na internet (brigs, Dani): “No dia 17 de setembro de 2008, das 21:50 às 22:00 horas, propõe-se apagar todas as luzes e se possível desligar todos os aparelhos elétricos, para o nosso planeta poder ‘respirar’. Se a resposta for massiva, a poupança energética pode ser brutal. É uma espécie de teste: só 10 minutos, para ver o que acontece. Podemos acender uma vela, ficar só olhando para ela e respirando, nós e o planeta. Lembrem-se de que a união faz a força e de que a internet pode  fazer algo realmente grande.”

O e-mail está circulando em várias línguas e por vários países. A versão do português foi feita em Portugal. Será que vinga? Eu teria curiosidade para saber o tamanho da economia.

O jipão que põe consciências à prova…

Vocês viram o que o Marcelo Leite escreveu ontem na Folha? Põe a consciência de cada um de nós à prova. Neste teste, pelo menos, eu passei, mas sei que fico de recuperação em muitos outros, como no dos banhos que não devem demorar. Vou simplesmente reproduzir: 
“É curioso que as pessoas se preocupem tanto com a qualidade do ar em Pequim. Particularmente em São Paulo, essa mania tem muito de postiça. Além de parar de pensar com a própria cabeça, vamos também começar a respirar com o pulmão dos atletas olímpicos?Nem a chuva de verão que despencou na terça-feira, em pleno inverno (vá lá, acontece), parece ter sido capaz de lavar a poluição que inflama os brônquios e resseca as narinas. Basta um pouco de sol para a camada de ozônio e material particulado ficar visível no horizonte. Um “photo-smog” quase palpável, para chinês nenhum pôr defeito.Apesar disso, assistimos a um frenesi de jipões. Nas rodas chiques, são os famigerados “SUVs”, ou “sport utility vehicles” (veículos esportivos utilitários)… E continua. Leiam na íntegra clicando aqui.

Wall-E, extrapolação realista?

Pessoal, fui assistir ontem ao Wall-E, da Disney/Pixar. É o típico filme infantil bem-feito com boas mensagens, bons valores e algumas pieguices hollywoodianas. Mas sabem que mexeu mesmo comigo aquela coisa da Terra cheia de lixo? E a nave Axiom com os seres humanos hiperobesos? Cruzes, será que aquele cenário é realmente possível?Se sim, como conter o (hiper)consumo?E quanto nós contribuímos para isso?  Especificamente, como manter nosso ganha-pão (publicidade, jornalismo, toda a mídia) e baixar o consumo? Xi, o filme me deu crise existencial…Aqui vai o trailer (que foca mais na história do robozinho, mas a outra história é tão protagonista quanto):

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Mas é preciso mecanizar a cultura de cana

1211.jpgNem tudo são rosas, contudo. Continuando o postabaixo, Roberto Rodrigues (foto) alertou para a necessidade de mecanizar a cultura de cana, um debate que eu ainda não vi muito por aí. Vocês viram? Ele diz:

  • Em São Paulo, há um movimento forte para terminar de vez com o corte de cana manual, que é considerado um trabalho desumano, pelas péssimas condições que oferece aos cortadores de cana, os bóias-frias. Mas há outra corrente, liderada pelos próprios trabalhadores, que não quer a mecanização em função do desemprego que seria causado. “Os dois lados têm sua razão e acho que a eliminação tem de ir acontecendo na medida do possível, com modelos de substituição de mão-de-obra.” Rodrigues contou está trabalhando com o governo estadual para criar um financiamento para a reciclagem dos trabalhadores e sua capacitação para plantio de produtos de alto valor agregado, como frutas, flores, seringueiras e orgânicos. Precisa fazer isso no País todo.
  • As queimadas típicas da colheita manual da cultura de cana emitem mesmo gases de efeito estufa (faz-se queimada porque a folha da cana crua tem sílica, que corta os trabalhadores, e para afastar cobras). Isso torna a mecanização ainda mais desejável. Contudo, a queimada não agride tanto o solo quanto diz a lenda; estudos descobriram que a queima é tão rápida que não chega a mudar a temperatura a ponto de comprometer os microorganismos do solo. 

Mais um aliado para o etanol

feb07_ethanol-s.jpgA honorável revista inglesa The Economist traz nesta edição semanal (que já está no site e chegará às bancas hoje também)  um artigo em que advoga o fim da tarifa protecionista “hipócrita” imposta pelos EUA à importação do etanol brasileiro feito de cana-de-açúcar (para uso como combustível). Ao afirmar que as críticas ao etanol são injustas, ela ressalta para quem desconhece geografia que as plantações de cana ficam bem longe da Amazônia. Seríissima, aEconomist é uma aliada e tanto nessa batalha brasileira pelo etanol no front internacional. E caso alguém ainda não tenha percebido, o etanol é um forte aliado da marca Brasil no front internacional, com potencial de impulsionar a internacionalização de muitos negócios brasileiros. Embora sejam longas, vale reproduzir aqui algumas das observações - acachapantes – do Roberto Rodrigues (ex-ministro de Agricultura do governo Lula, especialista de agronegócio da FGV) feitas à jornalista Lizandra Magon de Almeida, colaboradora de HSM Management, até porque “spreading the word” é fundamental nesse caso:

  • O potencial do Brasil nessa área é enorme: já usamos 44% de combustíveis renováveis, enquanto o mundo usa só 14%, segundo Rodrigues. “O Brasil poderia produzir 15% do combustível consumido no mundo em 15 anos, usando a terra e a tecnologia atual.” Ou seja, sem contar a tecnologia que está por vir pode até fazer dobrar esse índice. E sem contar que podemos nos dar ao luxo de aumentar em 7,5% a área plantada de cana no Brasil sem impactos ambientais.
  • Os mercados para o etanol precisam ser ativamente construídos, o que depende de leis. No Brasil, o Pró-Álcool só foi para frente quando se tornou obrigatória a mistura de 20% de álcool na gasolina. Os outros países vão ter de fazer leis similares.
  • A cultura de cana-de-açúcar não substituirá áreas destinadas à plantação de alimentos.  “Dos 62 milhões de hectares de terras agricultáveis existentes no Brasil, apenas 3,2 milhões, ou 5%, são adequados para a cana. O que existe no Brasil é uma quantidade muito grande de terras usadas para pastagem, 220 milhões de hectares –destes, 90 milhões poderiam ser aproveitados para agricultura, sendo que um quarto serviria para a cana”. Mesmo com o avanço da cultura da cana, a área destinada ao plantio de grãos (leia-se alimentos) pode aumentar 22% – e a produção de grãos, com tecnologia, 127%. (Ninguém pode proibir os agricultores de substituir alimentos por cana, mas eles não quererão isso, ver abaixo.)
  •  Os agricultores não preferirão substituir plantações de alimentos por cana. É claro que os agricultores sempre buscam as alternativas mais rentáveis, orientando suas decisões pela expectativa de aumento (ou queda) dos preços vis-a-vis a média de preços histórica de cada cultivo, mas os produtores não tendem a substituir grãos por cana; a substituição mais natural é de pastagens, laranja…Plantaram recentemente cana em regiões tradicionalmente produtoras de laranja, por exemplo, por conta da tendência de preços da laranja. Mas foi só a oferta de laranja diminuir que a fruta começou a ser plantada em outras áreas –inclusive no Paraná, que nunca teve tradição de laranja.
  • “É uma falácia antiga dizer que a cana empobrece o solo. Todo produto agrícola extrai nutrientes do solo e tem de ser usado adubo para repor esses nutrientes. A preservação do solo depende dessa reposição. A cana, ao contrário, é uma das culturas que mais deixa material orgânico no solo.



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