Caramba, sinceramente não sei nem o que dizer do comercial da Danish Cancer Society criado pela Halbye Kaag, JWT. Não vou estragar, assista:
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Eu adorei o comercial da Anistia Internacional que ganhou Leão de Ouro em Cannes no ano passado (esse). E parece que não foi só eu pq os caras da TBWA (Paris) insitem na mesma fórmula mais uma vez. O comercial é lindo, mas pra quem já viu o primeiro não traz grandes novidades, só o estilo da ilustração mesmo.
Bem legais os comerciais da Looking Glass Foundation criados pela DDB do Canadá, confira:
Simples e na veia. A ação para WWF criada pela Saatchi&Saatchi (Nova Zelândia) para alertar sobre a quantidade de golfinhos que ficam presos nas redes de pesca e ainda pedir sua ajuda através de SMS.
Bem legal esse filme postado pelo Daniel da Hora no Uod, criado para a National Found for the Deaf pela DDB (Nova Zelândia).
O festival publicitário de Cannes todo ano tem uma surpresa depois que acaba. Já teve campanha que foi criada para ganhar prêmios e o cliente não sabia; teve ano que criaram para um produto inventado; outro ano fizeram uma peça para o cliente de outra agência….
Mas nada se compara a repercurssão do caso desse ano. A TBWA de Paris criou uma campanha para a Anistia Internacional e faturou em Cannes esse ano, um Leão de Bronze. Até aí tudo bem, mas o escritório da ONG, em Londres, afirmou ter decidido não usar os anúncios por preferir adotar um foco mais positivo em sua campanha relativa aos Jogos Olímpicos.
Mesmo assim, a Anistia International permitiu à agência veicular a campanha uma vez para que ela pudesse ser inscrita no festival (prática muito utilizada no mundo todo para “esquentar” a peça).
O que a ONG não contava é com a repercurssão do prêmio. As peças ganharam a rede e rodaram fortemente por vários sites. E foi aí que os problemas começaram.
A campanha bate forte na questão do desrespeito aos direitos humanos na China, onde rolam as olímpiadas desse ano: “After the Olympic Games, the fight for human rights must go on” (Depois dos Jogos Olímpicos, a luta pelos direitos humanos deve continuar).
Na matéria do Wall Street Journal, Tom Carroll, presidente e CEO da TBWA Worldwide, pede desculpas pela inscrição da campanha em Cannes sem prévia aprovação ou conhecimento da cúpula da agência.
Enquanto isso na China, onde a agência possui uma filial a situação ficou mais complicada. A rede TBWA tem agência na China, o que torna a situação ainda mais delicada. Sem contar que a conta local da Adidas (patrocinadora dos jogos) é da agência.
Os blogs chineses começaram a sugerir o boicote a todos os trabalhos criados pela TBWA. Um blog foi mais longe: sugeriu que todos os chineses que trabalhassem para a agência pedissem demissão: “I suggest that all Chinese employees in TBWA resign from this company“.
Segundo o CCSP: “os consumidores na China levam a sério o boicote a marcas, personalidades ou seja o que for que tenha ‘ofendido sentimentos patrióticos’. Depois das manifestações contrárias à China em Paris, quando a Tocha Olímpica passou pela França, em abril, consumidores lançaram um boicote ao Carrefour, uma das maiores redes de supermercados presente na China.
Louis Vuitton e Christian Dior também receberam o mesmo tratamento depois que a atriz Sharon Stone sugeriu que o terremoto que atingiu a China era por causa do ”karma” criado em função da forma como o governo trata a população tibetana (relembre aqui)”.
Tirando a parte questionável de “esquentar” as peças para festival, me parece que os chineses deveriam boicotar o governo ao invés da agência. Afinal quem esta errado? O governo que faz essas atrocidades ou a agência que faz uma campanha para criticar tal? Aliás, a TBWA Paris não foi a única que fez essa crítica, a Saatchi&Saatchi da Slovakia tem anúncios bem parecidos. Outros esportes, outro layout, mas a mesma idéia.
Não foi mera coincidência, as torturas chinesas existem e parece que os chineses vão ter que boicotar muuuita gente se não quiserem ver a própria sujeira.
Veja os outros anúncios da confusão: aqui e aqui.
E aproveite pra ver os criados pela Saatchi&Saatchi: aqui, aqui e aqui.
O Greenpeace esta com um joguinho na internet bem legal pra conscientizar as pessoas sobre as mudanças climáticas. Clique aqui, preencha o cadastro que é rápido e depois é só começar. O jogo é multiplayer, dá jogar com pessoas do mundo todo. Foi criado pela AlmapBBDO (SP) e abocanhou um leão de bronze esse ano em Cannes. Depois pra quem quiser clica nesse link pra ver o vídeozinho do case.
Campanha para arrecadar fundos para a pesquisa de prevenção de derrames. Criada para a STROKE-Riksförbundet pela Saatchi&Saatchi (Suécia).
A campanha australiana da ActNow criada pela Marketforce é bem simples e bem legal. Confira os outros dois anúncios, aqui e aqui.
De uns tempos pra cá eu ando reparando bastante nos motoristas que andam fazendo besteira no trânsito, e o culpado: o celular. O motorista nunca acha que “ele” falando no telefone pode ser problema, mas basta um pouquinho de distração para um acidente.
Adorei a campanha da Impact & Echo, BBDO (Kuwai) para a Red Carpet.
Comercial bem interessante criado para a WWF pela agência Leo Burnett (Austrália).
As competições dos youngs em Cannes tem como briefing todos os anos alguma ONG. Na categoria de filmes esse ano o tema foi o MTV Switch. Embora não seja uma ONG é parte da campanha da MTV pra ajudar a combater as mudanças climáticas com o público jovem que no site encontram mais informações de como cada um podem fazer a sua parte.
O resultado esse ano de alto nível. Ainda mais se considerarmos que a dupla tem apenas 48 horas para criar, filmar e editar o comercial, e tudo isso com um celular. O ouro é da Argentina, a prata ficou para os EUA e o bronze para a Itália. Confira abaixo na ordem:
Depois de duas semaninhas sem postar voltei com uma porção de coisas que eu estava louco pra colocar no área3 mas com a internet a 6 euros (por meia hora) e um sol iluminando a cidade até as 9:30 da noite, acabei acumulando pra quando chegasse ao Brasil.
O festival apesar da quantidade exaustiva de publicitários, vale a pena a visita. Acabei tendo que trabalhar dois dias, dos 7 de festival, virando noite pra entregar um trabalho para Anistia Internacional na competição de print dos youngs. Não ganhamos mas foi uma experiência legal. (depois coloco aqui os vencedores).
Cannes estava com uma atenção especial para o terceiro setor esse ano. Ao lado do Palais (onde acontece o festival) havia uma exposição bacana de algumas campanhas selecionadas feitas pra ongs. Ainda na praça da frente tinha uma pequena exposição de fotos jornalísticas de momentos históricos (guerras, protestos, e etc…).
Mas foi pouco perto do potencial. Faltou a meu ver um pouquinho de ação. Perderam a oportunidade de motivar grandes cabeças a pensarem em soluções para os problemas no mundo, perderam alguns kilowatts com as tvs de plasma acesas aos montes durante toda a noite no hall trancado do festival e perderam a chance de dar um pouco mais de sustância para todo aquele glamour.
Assisti o rolo inteiro da categoria de filmes “Fundraising” e achei bem fraca pra ser sincero. Pouquíssimos filmes ali conseguiram tirar algum aplauso da platéia, quem dirá alguns trocados. (depois faço um apanhado dos ganhadores e coloco aqui também).
Bom, e essa foto é do shortlist de prints da categoria “Public Awareness”.
A honorável revista inglesa The Economist traz nesta edição semanal (que já está no site e chegará às bancas hoje também) um artigo em que advoga o fim da tarifa protecionista “hipócrita” imposta pelos EUA à importação do etanol brasileiro feito de cana-de-açúcar (para uso como combustível). Ao afirmar que as críticas ao etanol são injustas, ela ressalta para quem desconhece geografia que as plantações de cana ficam bem longe da Amazônia. Seríissima, aEconomist é uma aliada e tanto nessa batalha brasileira pelo etanol no front internacional. E caso alguém ainda não tenha percebido, o etanol é um forte aliado da marca Brasil no front internacional, com potencial de impulsionar a internacionalização de muitos negócios brasileiros. Embora sejam longas, vale reproduzir aqui algumas das observações - acachapantes – do Roberto Rodrigues (ex-ministro de Agricultura do governo Lula, especialista de agronegócio da FGV) feitas à jornalista Lizandra Magon de Almeida, colaboradora de HSM Management, até porque “spreading the word” é fundamental nesse caso:
- O potencial do Brasil nessa área é enorme: já usamos 44% de combustíveis renováveis, enquanto o mundo usa só 14%, segundo Rodrigues. “O Brasil poderia produzir 15% do combustível consumido no mundo em 15 anos, usando a terra e a tecnologia atual.” Ou seja, sem contar a tecnologia que está por vir pode até fazer dobrar esse índice. E sem contar que podemos nos dar ao luxo de aumentar em 7,5% a área plantada de cana no Brasil sem impactos ambientais.
- Os mercados para o etanol precisam ser ativamente construídos, o que depende de leis. No Brasil, o Pró-Álcool só foi para frente quando se tornou obrigatória a mistura de 20% de álcool na gasolina. Os outros países vão ter de fazer leis similares.
- A cultura de cana-de-açúcar não substituirá áreas destinadas à plantação de alimentos. “Dos 62 milhões de hectares de terras agricultáveis existentes no Brasil, apenas 3,2 milhões, ou 5%, são adequados para a cana. O que existe no Brasil é uma quantidade muito grande de terras usadas para pastagem, 220 milhões de hectares –destes, 90 milhões poderiam ser aproveitados para agricultura, sendo que um quarto serviria para a cana”. Mesmo com o avanço da cultura da cana, a área destinada ao plantio de grãos (leia-se alimentos) pode aumentar 22% – e a produção de grãos, com tecnologia, 127%. (Ninguém pode proibir os agricultores de substituir alimentos por cana, mas eles não quererão isso, ver abaixo.)
- Os agricultores não preferirão substituir plantações de alimentos por cana. É claro que os agricultores sempre buscam as alternativas mais rentáveis, orientando suas decisões pela expectativa de aumento (ou queda) dos preços vis-a-vis a média de preços histórica de cada cultivo, mas os produtores não tendem a substituir grãos por cana; a substituição mais natural é de pastagens, laranja…Plantaram recentemente cana em regiões tradicionalmente produtoras de laranja, por exemplo, por conta da tendência de preços da laranja. Mas foi só a oferta de laranja diminuir que a fruta começou a ser plantada em outras áreas –inclusive no Paraná, que nunca teve tradição de laranja.
- “É uma falácia antiga dizer que a cana empobrece o solo. Todo produto agrícola extrai nutrientes do solo e tem de ser usado adubo para repor esses nutrientes. A preservação do solo depende dessa reposição. A cana, ao contrário, é uma das culturas que mais deixa material orgânico no solo.


