A reciclagem movimenta R$ 7 bi anualmente no Brasil. Na média, cada brasileiro produz diariamente 6 kg de lixo.
Bom, com certeza você já escutou que somos o país que mais recicla alumínio no mundo (96%). Esse recorde infelizmente não é mérito da consciência dos brasileiros, e sim da pobreza.
Segundo o Cempre há no país cerca de 500 mil catadores de papéis, metais, plásticos e vidros. Muitos ficaram desempregados nos últimos 6 anos. Em geral, têm pouca instrução e são os primeiros dispensados quando as empresas decidem demitir.
Por exemplo o seu Silva, teve seu último emprego, há 10 anos, em uma tecelagem, e rendia cerca de R$ 700. Demitido, passou mais de um ano à procura de um trabalho registrado até decidir comprar um cavalo e uma carroça e recolher sucata em Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo). Migrou para a região da Sé, em 99, influenciado pela irmã mais velha. Maria Lúcia, ex-faxineira, que estava na região há 9 anos como catadora. Ela ganhava 4x mais que o ex-metalúrgico. “Quando vim para o centro tinha muito material disponível e pouco carroceiro”, diz Silva. Hoje, na área que atua, concorre com outros seis carroceiros. Ele e a mulher ganham juntos R$ 600 por mês.
Um dos principais vilões dos preços é o dólar. Como a sucata é commodity e com o real mais forte, os recicláveis brasileiros ficaram caros para compradores internacionais. Matérias-primas virgens (plástico, ferro e papéis não oriundos de reciclagem) tornaram-se mais atraentes para as empresas do Brasil e do exterior. Diminui a procura pela sucata, cai o preço. Cai a reciclagem. A gangorra de preços torna inviável qualquer projeto de coleta minimamente formalizado. E como se não bastasse, o aumento de carroceiros nas ruas ajuda ainda mais a reduzir o valor desses resíduos.
Juntando tudo isso dá pra entender o por quê do nosso recorde, e visualizar a chance de “aproveitar” essa nossa vantagem competitiva: a miséria.
O Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) faz cotações e tem um monte de informações de reciclagem no país. Mais informações aqui e aqui.