A honorável revista inglesa The Economist traz nesta edição semanal (que já está no site e chegará às bancas hoje também) um artigo em que advoga o fim da tarifa protecionista “hipócrita” imposta pelos EUA à importação do etanol brasileiro feito de cana-de-açúcar (para uso como combustível). Ao afirmar que as críticas ao etanol são injustas, ela ressalta para quem desconhece geografia que as plantações de cana ficam bem longe da Amazônia. Seríissima, aEconomist é uma aliada e tanto nessa batalha brasileira pelo etanol no front internacional. E caso alguém ainda não tenha percebido, o etanol é um forte aliado da marca Brasil no front internacional, com potencial de impulsionar a internacionalização de muitos negócios brasileiros. Embora sejam longas, vale reproduzir aqui algumas das observações - acachapantes – do Roberto Rodrigues (ex-ministro de Agricultura do governo Lula, especialista de agronegócio da FGV) feitas à jornalista Lizandra Magon de Almeida, colaboradora de HSM Management, até porque “spreading the word” é fundamental nesse caso:
- O potencial do Brasil nessa área é enorme: já usamos 44% de combustíveis renováveis, enquanto o mundo usa só 14%, segundo Rodrigues. “O Brasil poderia produzir 15% do combustível consumido no mundo em 15 anos, usando a terra e a tecnologia atual.” Ou seja, sem contar a tecnologia que está por vir pode até fazer dobrar esse índice. E sem contar que podemos nos dar ao luxo de aumentar em 7,5% a área plantada de cana no Brasil sem impactos ambientais.
- Os mercados para o etanol precisam ser ativamente construídos, o que depende de leis. No Brasil, o Pró-Álcool só foi para frente quando se tornou obrigatória a mistura de 20% de álcool na gasolina. Os outros países vão ter de fazer leis similares.
- A cultura de cana-de-açúcar não substituirá áreas destinadas à plantação de alimentos. “Dos 62 milhões de hectares de terras agricultáveis existentes no Brasil, apenas 3,2 milhões, ou 5%, são adequados para a cana. O que existe no Brasil é uma quantidade muito grande de terras usadas para pastagem, 220 milhões de hectares –destes, 90 milhões poderiam ser aproveitados para agricultura, sendo que um quarto serviria para a cana”. Mesmo com o avanço da cultura da cana, a área destinada ao plantio de grãos (leia-se alimentos) pode aumentar 22% – e a produção de grãos, com tecnologia, 127%. (Ninguém pode proibir os agricultores de substituir alimentos por cana, mas eles não quererão isso, ver abaixo.)
- Os agricultores não preferirão substituir plantações de alimentos por cana. É claro que os agricultores sempre buscam as alternativas mais rentáveis, orientando suas decisões pela expectativa de aumento (ou queda) dos preços vis-a-vis a média de preços histórica de cada cultivo, mas os produtores não tendem a substituir grãos por cana; a substituição mais natural é de pastagens, laranja…Plantaram recentemente cana em regiões tradicionalmente produtoras de laranja, por exemplo, por conta da tendência de preços da laranja. Mas foi só a oferta de laranja diminuir que a fruta começou a ser plantada em outras áreas –inclusive no Paraná, que nunca teve tradição de laranja.
- “É uma falácia antiga dizer que a cana empobrece o solo. Todo produto agrícola extrai nutrientes do solo e tem de ser usado adubo para repor esses nutrientes. A preservação do solo depende dessa reposição. A cana, ao contrário, é uma das culturas que mais deixa material orgânico no solo.


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