20/03/2010   RSS posts: 885comentários: 1.141 updaters: 559
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No trânsito de São Paulo, contradição é lei

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Como todos já devem saber, foi apresentada essa semana pela prefeitura de São Paulo uma regulamentação que restringe a utilização de fretados na cidade, o que deve tirar de circulação cerca de 1.300 veículos (650 pela manhã e 650 à tarde).

Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, a medida foi tomada a partir da aprovação, no dia 5 de junho deste ano, da lei de mudanças climáticas da cidade que estabelece a meta de redução de 30% da emissão de gases que provocam o efeito estufa até 2012. 

Mas será que isso faz sentido? Será que muitas pessoas que pegavam o fretado da empresa por comodidade (e não por necessidade) não passarão a usar seus carros todo o dia para trabalhar? Será que eles acreditam mesmo que todas essas pessoas usarão o já saturado sistema de transporte público da cidade? 

Vamos lembrar que essa restrição abrange regiões de grande concentração de empresas, como as avenidas Paulista, Luiz Carlos Berrini e Faria Lima. Empresas de grande porte como o hospital Albert Einstein (Morumbi), Banco Real, Accor e Braskem (Marg. Pinheiros), na qual trabalham funcionários qualificados, com condições de comprar um veículo próprio (ainda mais com a redução dos impostos sobre a venda de carros), e que com certeza farão uso desses para se deslocar pela cidade.

Medidas como essa, perigosamente disfarçadas de “melhorias ambientais”, apenas contribuem para piorar o trânsito da cidade, que vêm batendo recordes a cada ano, e consequentemente trazem péssimas consequências para a saúde e qualidade de vida da população.

Será que é assim que nossos governantes pretendem atingir aquela meta?

2 Responses to “No trânsito de São Paulo, contradição é lei”


  1. Gravatar Icon 1 Daniel Chagas Martins

    É daquelas coisas pra gente se sentir mal, ter certeza que não temos controle nenhum do que acontece. Não existe uma pessoa em sã consciência e que viva de fato no caos da cidade que seja contra os ônibus fretados. Quer dizer, talvez donos de concessionárias sejam contra.
    Soma-se a isso a notícia de que o governo paulista vai construir mais faixas na marginal Tietê, destruindo um dos poucos pedaços de verde que a cidade tem, com a desculpa de melhorar o trânsito da cidade. Sem nem esperar o Rodo Anel ficar pronto.
    Se todo esse dinheiro fosse investido em obras duráveis (tipo metro, ciclovias, trens…) já teríamos uma cidade bem diferente. Mas é como dizem, metro e saneamento corre debaixo da terra e ninguém vê, fica mais difícil conseguir votos.
    Quando a gente pensa que as coisas estão melhorando….

  2. Gravatar Icon 2 Adriana Salles Gomes

    Ótimo post, Laís. Seu questionamento faz todo o sentido.

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